O crescimento das deep techs no Rio Grande do Sul
Uma pesquisa científica conduzida por professores de física da PUC-RS deu origem à BlueNano, uma empresa que utiliza nanotecnologia para modificar materiais em escala atômica. A partir dessa tecnologia, a companhia cria componentes capazes de tornar baterias mais eficientes e otimizar processos químicos. A BlueNano é um exemplo claro de deep tech, um setor em expansão no Rio Grande do Sul, que atua em áreas como nanotecnologia, semicondutores, biotecnologia, computação e robótica.
Essas empresas frequentemente nascem dentro de universidades e centros de pesquisa, como é o caso da BlueNano, que está instalada no tecnopuc, o parque tecnológico da PUC. Fundada em 2019, a empresa trabalha com física aplicada e nanotecnologia para depositar átomos de forma controlada sobre superfícies de materiais em pó.
Projetos que aceleram processos e melhoram baterias
Um dos projetos da BlueNano visa acelerar a conversão de etanol em hidrogênio. Sérgio Bastian, diretor de operações da empresa, destaca que o processo que antes levava dias hoje é realizado em poucas horas. A empresa atende grandes grupos como Petrobras, Vale e WEG Motores, além de centros de pesquisa internacionais.
Outra linha de pesquisa busca aprimorar o desempenho de baterias usando carbono e nióbio. “Se a capacidade de uma bateria dobrar, o mundo inteiro muda. Para alcançar isso, é preciso parar de trabalhar do jeito tradicional e pensar em como tornar isso possível”, afirma Bastian.
O papel do Tecnopuc na interação entre ciência e mercado
O Tecnopuc, com seus 11,5 hectares, é um polo importante no relacionamento entre universidades e empresas. O parque tecnológico da PUCRS já apoiou mais de 1,2 mil startups e mantém parcerias com mais de 320 companhias, incluindo nomes como Dell e Microsoft. Além de abrigar startups, o Tecnopuc promove a aproximação entre pesquisadores, empreendedores e empresas.
Flavia Fiorin, diretora do Tecnopuc, ressalta que o principal objetivo do parque é conectar o conhecimento gerado na universidade ao desenvolvimento de negócios inovadores. Para isso, são organizadas rodadas de negócios que envolvem startups, investidores, empresas e parceiros internacionais.
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Investimento e desafio das deep techs
O contato com investidores é crucial para deep techs, que precisam de mais tempo e recursos para transformar uma tecnologia de laboratório em produto comercial. Fiorin explica que o foco do capital está em empresas de base científica com potencial de inovação, e não apenas em startups de mercado oportunista.
O Rio Grande do Sul conta com 24 parques tecnológicos, entre os que já operam e os em implantação, conforme dados da Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp). Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS, destaca que esse ecossistema contribui para a formação de mão de obra qualificada, um ativo muito valorizado pelas empresas.
“A densidade de talentos da região não surgiu do nada. O Estado tem tradição histórica em formação acadêmica, com uma das maiores concentrações de mestres e doutores do Brasil. As empresas buscam profissionais altamente capacitados”, afirma Prikladnicki.
Inovação em semicondutores e parcerias estratégicas
O setor de semicondutores no Rio Grande do Sul tem atraído investimentos significativos. O Itt Chip reúne pesquisadores e especialistas da indústria para apoiar estudantes de mestrado e pesquisa acadêmica nas áreas de eletrônica, física e engenharia de materiais.
Gustavo Willmann, coordenador administrativo do grupo, explica que os projetos são desenvolvidos em parceria com a iniciativa privada ou órgãos do setor, apoiados por programas governamentais e leis de incentivo, como a Lei da Informática e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS). Entre os parceiros estão HT Micron, Tellescom e a Novus, empresa de automação industrial.
Larissa Oliveira, decana da Escola Politécnica da Unisinos, acrescenta que os serviços prestados geram recursos para manter a infraestrutura e oferecer bolsas aos estudantes.
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Fonte: daquibahia.com.br
Pesquisa aplicada aos oceanos e mudanças climáticas
Outro exemplo de inovação é o Itt Oceaneon, da Unisinos, que estuda a evolução geológica e biológica dos oceanos e as mudanças climáticas. O instituto realiza projetos de pesquisa e desenvolvimento, além de prestar serviços tecnológicos para empresas e órgãos públicos, incluindo Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O Itt Oceaneon utiliza sua estrutura para analisar rochas, sedimentos e microfósseis, reconstruindo condições ambientais e climáticas do passado, além de estudar a evolução de bacias sedimentares. Um dos projetos, o Paleoclima, desenvolvido com a Petrobras, busca aprimorar modelos sobre sistemas petrolíferos.
Larissa Oliveira destaca que a pesquisa ocorre em contato direto com os estudantes, que têm a chance de trabalhar nos Itts, aproximando ciência e indústria para resolver problemas reais.
Universidades como berço de empresas inovadoras
A conexão entre pesquisa e mercado também gera empresas dentro das universidades. A SBPA Simulators, por exemplo, fabrica simuladores de voo para jatos, helicópteros e aviação comercial, contando com estudantes universitários na equipe.
Esse ecossistema também atrai grandes multinacionais. A SAP escolheu o Tecnosinos para instalar um centro de inovação, com um investimento acima de R$ 100 milhões. William Gibk, diretor de estratégias e operações da SAP, explica que a pesquisa e desenvolvimento são feitos em Porto Alegre, enquanto os negócios são conduzidos em São Paulo.
O avanço das deep techs no Rio Grande do Sul mostra como a pesquisa científica pode se transformar em tecnologias aplicadas, impulsionando a economia local e fortalecendo a cadeia produtiva de tecnologia com impactos concretos no mercado e na rotina das empresas.
