Da infância às passarelas internacionais
Mariana Coldebella, natural de Porto Alegre, construiu uma trajetória profissional que ultrapassa as fronteiras do Brasil. Com 15 anos de carreira, ela acumula experiências não só diante das câmeras, mas também em desafios pessoais e profissionais que moldaram sua vida longe de casa. Sua jornada internacional inclui 16 anos vivendo fora do país, passagem por 26 países e o aprendizado autodidata de três idiomas.
O primeiro contato de Mariana com o mundo da moda foi ainda bebê, aos seis meses, quando estampou a capa de uma revista. Na infância, participou de campanhas e concursos de beleza, mas foi aos 22 anos que decidiu investir integralmente na carreira internacional. Essa decisão marcou o início de uma etapa que exigiu adaptação constante e resiliência.
Desafios e aprendizados da carreira no exterior
Ao se mudar para o exterior, Mariana enfrentou limitações financeiras, barreiras linguísticas e uma rotina intensa de castings. Em alguns dias, chegou a participar de até 15 processos seletivos, que nem sempre resultavam em trabalho. Ela destaca a importância de aprender a lidar com a frustração e a expectativa, confiando no próprio potencial apesar das negativas.
“Você aprende a lidar com a expectativa e com a frustração muito rápido. Tinha dias em que eu fazia vários castings e não conseguia nenhum trabalho. Em outros, surgia uma oportunidade que mudava toda a semana. Acho que foi nesse período que aprendi a não depender tanto do que estava acontecendo naquele momento e a confiar mais em mim”, relembra Mariana.
Rejeição como parte do processo
Entender que um “não” não define a capacidade profissional foi uma das primeiras lições da modelo. No mercado da moda, a contratação depende de muitos fatores, como perfil do cliente, características físicas, momento da campanha e tendências. Isso gera uma rotina de seletivas frequentes e incertezas quanto ao próximo trabalho.
Separar a rejeição profissional do valor pessoal tornou-se fundamental para Mariana. Ela desenvolveu persistência sem transformar cada negativa em derrota, uma experiência que dialoga com outras profissões marcadas por avaliações constantes e mudanças de projeto.
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Competência e adaptação cultural
Trabalhar em 26 países diferentes e aprender três idiomas por conta própria ampliou o repertório profissional da modelo. Mariana destaca que o contato com diversas culturas mudou sua percepção sobre pessoas e relações de trabalho.
“Quanto mais do mundo eu conheço, mais eu aprendo sobre as pessoas. A vida longe de casa me ensinou resiliência, mas conhecer tantas culturas, histórias e formas diferentes de viver também me ensinou a ouvir, respeitar, me colocar no lugar do outro e enxergar beleza naquilo que é diferente de mim.”
Essa vivência exigiu entender códigos culturais, formas distintas de comunicação e maneiras variadas de organizar o trabalho. Essa capacidade de adaptação tornou-se um diferencial em sua carreira fora das passarelas.
Organização financeira em uma carreira instável
A irregularidade na frequência de trabalhos levou Mariana a desenvolver disciplina e responsabilidade financeira. A carreira de modelo, marcada por altos e baixos, demandou planejamento para garantir estabilidade.
Além disso, a preocupação com o futuro motivou a modelo a empreender. Ela administra uma franquia de loja de açaí em Ibiza, Espanha, agregando experiência em gestão e diversificando suas atividades profissionais.
A independência financeira também lhe permitiu apoiar a família. Uma experiência marcante foi levar o irmão para morar em Nova York, possibilitando que ele estudasse e ampliasse suas oportunidades. “Me permitiu cuidar de quem sempre cuidou de mim. Ver o orgulho nos olhos deles por tudo que conquistei me enche de alegria.”
Estabelecendo limites e autocuidado
Nem todos os aprendizados foram positivos. Mariana enfrentou preconceitos, inseguranças e episódios de assédio ao longo da carreira. Para lidar com isso, aprendeu a impor limites, mesmo que isso significasse recusar oportunidades.
“Ser modelo também é ouvir muitos “nãos”, lidar com insegurança e situações em que seus limites nem sempre são respeitados. Você precisa aprender a se posicionar e a se proteger, mesmo que isso signifique perder uma oportunidade.”
Com o tempo, ela passou a valorizar as condições de trabalho e a importância do autocuidado, tanto para o corpo quanto para a mente, como parte essencial de sua rotina profissional e pessoal.
Reflexões sobre uma carreira construída longe de casa
Quinze anos após deixar Porto Alegre, Mariana Coldebella avalia sua trajetória internacional com foco na autonomia, adaptação e amadurecimento. Aprender idiomas, administrar finanças, conviver com rejeições e reconhecer quando uma oportunidade não vale a pena foram parte desse percurso.
“A moda me deu muito mais do que uma carreira. Me deu pessoas, coragem, independência, aprendizados, oportunidades e histórias. Me deu uma vida e ajudou a me moldar no ser humano que sou hoje”, conclui a modelo porto-alegrense.
