Vitória expressiva de Luciano Zucco no Rio Grande do Sul
O deputado federal Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul em primeiro turno, garantindo 58,05% dos votos válidos, conforme apuração final das urnas neste domingo (4). A eleição representa uma mudança significativa no cenário político estadual, com Zucco superando a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), que obteve 31,65% dos votos. O vice-governador Gabriel Souza (MDB), apoiado pelo atual governador Eduardo Leite (PSD), ficou em terceiro lugar, com 8,4%, enquanto o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB) conquistou 1,68%.
Posicionamentos e articulações políticas após a vitória
Pouco antes das 21h, Zucco discursou em seu comitê na zona norte de Porto Alegre, destacando que a vitória veio pela escolha clara dos gaúchos por seu projeto, em contraponto à esquerda. Acompanhado da vice Silvana Covatti (PP), do senador eleito Marcel Van Hattem (Novo) e da vice-prefeita de Porto Alegre Betina Worm (PL), comemorou também as vitórias do PL nos estados vizinhos, com Jorginho Mello em Santa Catarina e Sergio Moro no Paraná, consolidando a presença do partido na região Sul.
Zucco afirmou ter conversado com Juliana Brizola, candidata apoiada pelo presidente Lula, e agradeceu a ela pelo respeito e admiração. Também mencionou diálogo com Eduardo Leite, solicitando uma reunião para iniciar a transição governamental em breve.
Campanha e propostas de governo
O governador eleito destacou que sua campanha foi pautada em propostas e que pretende manter diálogo aberto com todos os partidos, incluindo os de centro-esquerda, sem detalhar o conteúdo dessas conversas. Apontou a intenção de firmar um pacto de união focado nas prioridades comuns ao estado, sem tentar superar diferenças políticas.
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A vitória de Zucco também quebrou recorde de votação no estado desde a redemocratização, superando os 54,35% obtidos por Tarso Genro (PT) em 2010. Centenas de apoiadores celebraram no comitê do candidato, que também viu o sucesso do PL nas eleições para o Senado, com Sanderson e Marcel Van Hattem eleitos, além das vitórias de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Distrito Federal.
Perfil político e trajetória de Luciano Zucco
Natural de Alegrete, Zucco tem 52 anos, é tenente-coronel formado pela Academia Militar das Agulhas Negras e atuou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) entre 2010 e 2016, responsável pela segurança presidencial no governo Dilma Rousseff. Sua primeira eleição para cargo público ocorreu em 2018, como deputado estadual pelo PSL, após convite do então candidato Jair Bolsonaro, seu padrinho político.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Republicanos com a maior votação do estado, antes de migrar para o PL em 2023. Na Câmara, foi líder da oposição em 2025, cargo que deixou para se dedicar à campanha ao governo. Zucco presidiu a CPI do MST, ganhando projeção nacional, ainda que tenha enfrentado críticas de lideranças de esquerda que o acusaram de tentar criminalizar o movimento.
Estratégia eleitoral e críticas à gestão anterior
Apesar de seu alinhamento com o bolsonarismo, Zucco evitou nacionalizar a disputa estadual no primeiro turno, focando em pautas locais nas propagandas e limitando menções a Flávio Bolsonaro, que participou da oficialização de sua candidatura junto com Romeu Zema. Durante a campanha, criticou a resposta do governo Eduardo Leite às enchentes que atingiram o estado em maio de 2024, apontando falta de atenção aos alertas e defendendo investimentos maiores em prevenção.
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Vice-governadora e alianças políticas
A vice-governadora eleita, Silvana Covatti (PP), integra uma família influente na política gaúcha. Ex-secretária da agricultura no governo Leite e primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Covatti foi a aposta para atrair o voto feminino. É casada com o ex-deputado Vilson Covatti, e seu filho, deputado federal Covatti Filho, preside o PP estadual.
A coligação também contou com apoio do Novo, Podemos e Republicanos. O PP foi o principal parceiro na candidatura, sendo o maior partido em número de prefeituras e filiados no estado.
Outros candidatos e o panorama eleitoral
Além dos principais candidatos, a disputa contou com Priscila Voigt (UP), Rejane de Oliveira (PSTU) e Cesar Pontes (PCO). A eleição consolida o alinhamento do Rio Grande do Sul à direita conservadora, após dois mandatos do centro identificado Eduardo Leite.
