Desafios na Urgência e Obstetrícia do HUSM
O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) convive com uma situação crítica: o pronto-socorro adulto e o Centro Obstétrico apresentam níveis de ocupação muito acima da capacidade oficial. Atualmente, os dois setores somam 75 pacientes, embora o hospital disponha de apenas 28 vagas e leitos informados. No pronto-socorro, 60 pessoas aguardam atendimento para 24 vagas, o que representa 250% de ocupação. Já no Centro Obstétrico, referência regional para gestação de alto risco, 15 gestantes estão internadas para apenas quatro leitos, atingindo 375% da capacidade.
Demanda que ultrapassa a capacidade e organização do atendimento
Esses dados, fornecidos pelo HUSM ao Diário de Santa Maria, ilustram um desafio constante. O hospital é referência para atendimentos de média e alta complexidade, atendendo Santa Maria e mais 44 municípios da região, totalizando uma população estimada em 1,2 milhão de pessoas. A unidade recebe pacientes encaminhados pela Rede de Atenção às Urgências e Emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) e também aqueles que procuram diretamente o serviço.
O atendimento no HUSM segue a classificação de risco e as necessidades assistenciais de cada paciente. No entanto, a demanda espontânea pode variar muito ao longo do dia, dificultando a previsão de quando o fluxo será normalizado. Além disso, a organização da capacidade assistencial depende da transferência de pacientes para outras unidades hospitalares da região.
Comunicação com órgãos responsáveis e medidas adotadas
O hospital comunicou a situação à 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS), responsável pela organização das vagas na região. O HUSM mantém o monitoramento constante do cenário e mobiliza equipes para garantir a continuidade e a segurança da assistência. Até o momento, a 4ª CRS não se manifestou publicamente sobre o quadro.
Histórico recente de superlotação no HUSM
Esta não é a primeira vez que o pronto-socorro do HUSM enfrenta superlotação grave. Em abril, o setor chegou a registrar 80 pacientes para 29 leitos, atingindo quase 300% de ocupação. Naquela ocasião, o hospital informou que, em março, foram realizados 1.327 atendimentos no pronto-socorro adulto, com média diária de 43 pacientes em abril — um aumento significativo em relação aos 28 atendimentos diários do mesmo período em 2025.
Em maio, a situação persistiu, com ocupação chegando a 320%, e pacientes aguardando atendimento em corredores. O superintendente do HUSM, Humberto Moreira Palma, destacou a necessidade de reformulação na rede de urgência e emergência da região, apontando que cerca de metade da demanda do hospital vem de Santa Maria e que o HUSM não consegue atender sozinho toda a rede.
Palma sugeriu que pacientes com menor complexidade sejam inicialmente avaliados em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Pronto Atendimentos, com encaminhamento ao HUSM apenas quando necessário.
Posicionamento oficial do HUSM
O HUSM esclareceu, por meio de nota, que é uma unidade integrante da HU Brasil e referência para atendimento de média e alta complexidade para uma população de cerca de 1,2 milhão de pessoas. O hospital reforça que a demanda pode superar a capacidade em momentos de maior procura, especialmente nas unidades de urgência e emergência.
A nota detalha que o pronto-socorro adulto atualmente atende 60 pacientes para 24 vagas, enquanto o Centro Obstétrico, referência para gestação de alto risco, registra 15 pacientes para quatro leitos. O hospital destaca que o atendimento é organizado conforme a classificação de risco e que a demanda espontânea impede a previsão de normalização do fluxo.
O HUSM também informa que a capacidade assistencial depende da transferência de pacientes para outras unidades da região e que a situação já foi comunicada à 4ª CRS. O monitoramento segue constante, com equipes mobilizadas para garantir a continuidade e a segurança no atendimento.
O papel do município na gestão da demanda
Em entrevista ao Diário, o secretário municipal da Saúde, Guilherme Ribas, ressaltou que o Hospital Universitário é muito demandado não apenas por pacientes de Santa Maria, mas também por pessoas de mais de 40 municípios da região. Essa abrangência amplia a pressão sobre a capacidade do hospital e reforça a importância de estratégias que otimizem o atendimento em toda a rede de saúde.
A situação no HUSM evidencia os desafios enfrentados pela rede pública de saúde na região, sobretudo em unidades que atuam como referência para casos complexos. A gestão eficiente da demanda, a ampliação da capacidade e a articulação entre os diferentes níveis de atendimento são fundamentais para garantir cuidados adequados e seguros à população.
