Biovales: inovação em análise de compostos bioativos
O projeto Biovales: Centro de Análises de Compostos Bioativos dos Vales, que conta com a participação da Universidade do Vale do Taquari (Univates), recebeu atenção especial durante a Expointer 2026. A Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Sict) realizou a gravação de um podcast no evento, conduzida pelo diretor-geral Sandro Kirst, para destacar essa iniciativa que articula universidades, empresas e pesquisa em prol da inovação regional.
Parceria entre universidades e empresas para a bioeconomia
A professora Lucélia Hoehne, da Univates, e Ângela Braun, do Núcleo de Projetos da universidade, participaram da gravação para apresentar os detalhes do Biovales, projeto aprovado no Edital InovaRS 2022. O episódio será divulgado no site da Sict após o período eleitoral, em novembro, ampliando a visibilidade de uma iniciativa que integra instituições de ensino superior, pesquisa aplicada e o setor produtivo, focada na bioeconomia e no desenvolvimento dos Vales do Taquari e do Rio Pardo.
O Biovales é uma iniciativa colaborativa que reúne a Univates, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e as empresas Syntalgae Sustainable e Inovamate. O foco da parceria está na investigação de compostos bioativos extraídos de matérias-primas locais, buscando agregar valor e fortalecer a economia regional.
Explorando plantas alimentícias não convencionais e microalgas
O projeto responde a um desafio crescente nos sistemas alimentares: encontrar fontes nutritivas que unam qualidade, diversidade produtiva e menor impacto ambiental. Nesse contexto, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e as microalgas são os principais objetos de estudo do Biovales.
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As PANCs compreendem espécies vegetais com potencial alimentar ainda pouco explorado no consumo diário e nos mercados tradicionais. Muitas são plantas adaptadas às condições locais, ricas em nutrientes, fibras, vitaminas e minerais. Já as microalgas apresentam alto potencial como fontes de proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e pigmentos naturais, com aplicações que podem beneficiar a indústria alimentícia e diversas cadeias produtivas.
Metodologia sustentável para análise de compostos bioativos
O Biovales propõe o desenvolvimento de uma metodologia rápida, econômica e ambientalmente responsável para analisar compostos bioativos em plantas e microalgas cultivadas na região. A pesquisa utiliza técnicas analíticas ecofriendly, que minimizam o uso de reagentes químicos tóxicos, promovendo processos mais sustentáveis.
A metodologia combina espectrometria no infravermelho com ferramentas matemáticas para calibrar e estimar compostos como carotenoides e ácido clorogênico. Na prática, o procedimento permite analisar amostras com agilidade, facilitando a identificação e quantificação de substâncias que podem valorizar as matérias-primas locais.
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Impactos e perspectivas para o desenvolvimento regional
Após validação, a metodologia pode ser aplicada em outras matérias-primas e regiões do Rio Grande do Sul, ampliando seu alcance. O conhecimento detalhado da composição dos produtos é estratégico para fomentar novos mercados, processos e produtos, especialmente em segmentos ligados à bioeconomia.
Espera-se que os resultados do Biovales criem oportunidades para pequenos produtores e empresas, promovendo qualificação produtiva, geração de conhecimento, empreendedorismo e avanço tecnológico. A iniciativa visa transformar recursos locais em soluções inovadoras, por meio da cooperação entre universidades, empresas e políticas públicas de inovação.
Além disso, os resultados do projeto já foram disseminados em palestras e minicursos, ampliando o acesso a informações sobre as espécies estudadas e seus compostos bioativos. A presença do Biovales na Expointer reforça a importância da integração entre agronegócio, ciência e inovação para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
