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    Saúde

    Ministério da Saúde amplia acesso a medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Rio Grande do Sul

    Juliana SilvaPor Juliana Silva21/10/2026Nenhum comentário5 min de leitura
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    Ministério da Saúde amplia acesso a medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Rio Grande do Sul
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    Mais medicamentos oncológicos chegam ao SUS em Alegre (RS)

    O Ministério da Saúde inicia nesta semana a oferta de nove novos medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a tratamentos modernos para cânceres de mama, próstata, pulmão e linfomas, entre outros. A previsão é que até o fim do ano sejam incorporados 23 novos fármacos, o que representa um aumento de 35% nas opções disponíveis para pacientes na rede pública. Essa é a maior atualização tecnológica já realizada no cuidado do câncer, contemplando 100% da demanda por esses medicamentos.

    Muitos desses remédios estavam disponíveis no SUS há mais de uma década, mas não eram efetivamente ofertados nos serviços de saúde. A mudança ganhou força com o programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 pelo Ministério da Saúde, que pretende consolidar a maior rede pública de cuidado oncológico do país e reduzir o tempo de espera para diagnóstico e tratamento. A Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para definir a distribuição dessas tecnologias, detalha como cada medicamento chegará ao público.

    Fortalecimento da rede oncológica em Porto Alegre (RS) e além

    Em Porto Alegre (RS), o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Felipe Proenço, ressaltou o impacto do programa Mais Médicos Especialistas no reforço da equipe oncológica, especialmente na patologia. “Estamos ampliando a formação no Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e em todo o país, fortalecendo a rede de cuidados para o câncer, especialmente importante no Rio Grande do Sul, um dos estados com maior número de casos no Brasil”, explicou Proenço durante evento no GHC.

    Para garantir o acesso aos 23 novos medicamentos, o Ministério da Saúde assumiu a compra direta de 10 fármacos, negociou uma ata de preços para outros nove e ampliou repasses para quatro medicamentos, assegurando o custeio necessário nos serviços oncológicos do SUS. O investimento anual previsto é de R$ 4 bilhões.

    Novos tratamentos para 13 indicações oncológicas

    Os nove medicamentos recém-incluídos atendem a 13 tipos diferentes de câncer, beneficiando mais de 116 mil pacientes inicialmente em 20 centros de tratamento distribuídos pelo Brasil. A meta é expandir o atendimento a todos os centros ainda este ano. O custo anual apenas para esses medicamentos será de R$ 155,4 milhões.

    Leia também: Parcerias Estratégicas com a Índia para Produção de Medicamentos Oncológicos no SUS

    Fonte: soudesaoluis.com.br

    Leia também: Lei dos 60 dias no Paraná: entenda como ela impacta o tratamento do câncer de mama

    Fonte: curitibainforma.com.br

    Entre os remédios disponíveis está o abemaciclibe, indicado para câncer de mama, que pode custar até R$ 366 mil na rede privada. A oferta no SUS amplia o acesso para pacientes que necessitam deste tratamento. O pazopanibe, para câncer renal metastático, e o trastuzumabe, já usado para câncer de mama, passam a ser ofertados para novas indicações, como câncer de estômago.

    Esses tratamentos têm mecanismos distintos, adaptados ao tipo de tumor, estágio da doença e perfil do paciente. Além de prolongar a sobrevida, melhoram a qualidade de vida e podem ser indicados após cirurgia para prevenir o retorno do câncer.

    Expansão do rastreamento do câncer de intestino no SUS

    Outra medida importante é a introdução do teste imunoquímico fecal (FIT) para rastreamento do câncer colorretal. O Ministério da Saúde distribuirá 400 mil testes para estados, iniciando a implementação em novembro nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes. O exame simples detecta sangue oculto nas fezes, indicando a necessidade de colonoscopia para diagnóstico. O FIT tem precisão de até 92% e é direcionado a pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos.

    Investimentos em cirurgias e diagnósticos oncológicos

    Com investimento anual de R$ 46 milhões, o Ministério da Saúde passa a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, especialmente para câncer de pulmão. A técnica minimamente invasiva reduz o tempo de internação e complicações pós-operatórias.

    Além disso, a Nova Tabela do programa Agora Tem Especialistas atualiza os valores pagos no SUS para procedimentos oncológicos, com aumentos que chegam a até quatro vezes para medicamentos administrados por via intravenosa e o dobro para medicamentos orais. O recurso destinado à iodoterapia para câncer de tireoide foi ampliado em 246%, passando de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões anuais, garantindo maior suporte para seis tipos de procedimentos.

    Leia também: Hospital da Mulher do Recife amplia atendimento com mamógrafo digital avançado

    Fonte: noticiasdorecife.com.br

    Fortalecimento dos serviços de diagnóstico e parceria com hospitais especializados

    Os procedimentos de anatomia patológica também tiveram seus valores atualizados, ampliando a capacidade dos Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT), que apoiam a análise de biópsias. Já foram inaugurados três centros em Manaus (AM), Teresina (PI) e Diamantina (MG), com cinco em construção. Esses serviços podem receber até R$ 30 mil mensais em incentivos conforme critérios estabelecidos.

    O Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center, acelera a análise de lâminas de biópsias, reduzindo o tempo de espera de até sete meses para oito dias em alguns estados.

    Grupo de trabalho para câncer infantojuvenil e apoio para instituições

    O Ministério da Saúde também criará um grupo de trabalho para desenvolver a primeira linha de cuidado do retinoblastoma, um câncer que afeta a retina principalmente em crianças menores de cinco anos. O projeto busca organizar o atendimento no SUS com foco no diagnóstico precoce e encaminhamento adequado.

    O Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) terá seu incentivo fiscal prorrogado até 2031. Voltado a instituições privadas sem fins lucrativos, o edital está aberto até 26 de outubro. Em oito anos, o Pronon já habilitou mais de 2500 entidades e aprovou mais de 1470 projetos para prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa em câncer.

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    Juliana Silva

    Curiosa sobre como decisões de gabinete viram fila de posto e remédio que falta na prateleira, Juliana Silva percorre Porto Alegre ouvindo profissionais de saúde e pacientes para entender onde as políticas públicas funcionam e onde travam. Nas reportagens, simplifica números, traduz termos técnicos e entrega ao leitor um retrato claro do que muda no cuidado, na prevenção e no dia a dia de quem depende do SUS.

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