Maior investimento da história do Rio Grande do Sul em andamento
Barra do Ribeiro, município com cerca de 12,5 mil habitantes a 60 km de Porto Alegre, está prestes a receber o maior investimento já registrado no Rio Grande do Sul. A CMPC, uma das maiores empresas de celulose e papel da América Latina, lidera o Projeto Natureza, que prevê um aporte de US$ 4,5 bilhões, equivalente a R$ 27 bilhões, para a construção de uma nova fábrica de celulose. Essa iniciativa deve impulsionar significativamente a economia local, com a geração estimada de aproximadamente 12 mil empregos durante a fase de construção e 5 mil vagas diretas na operação da unidade.
Inovação tecnológica e parceria com o governo
O projeto se destaca pelo uso avançado de tecnologia, incluindo inteligência artificial e robótica em suas operações. Ignacio Lira, gerente de assuntos corporativos da CMPC, destaca que esta é a maior expansão internacional já realizada pela empresa chilena. Diferentemente da fábrica atual em Guaíba, inserida em área urbana, a nova unidade será instalada longe de regiões residenciais, minimizando impactos para a comunidade local. Em abril de 2025, o governo do Rio Grande do Sul firmou um protocolo de intenções com a CMPC, garantindo apoio para adequações logísticas e suporte técnico.
Infraestrutura portuária para escoamento eficiente
Além da fábrica, o projeto inclui a construção de um terminal portuário autorizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Com capacidade para movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de celulose por ano, o terminal contará com dois berços para navios, dois para barcaças e um armazém com capacidade para 194 mil toneladas. Em janeiro, a CMPC assinou contrato de adesão para exploração do terminal, em evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Desafios ambientais e questionamentos judiciais
O projeto enfrenta questionamentos do Ministério Público Federal (MPF), que apontou falhas nos estudos de impacto ambiental, especialmente pela falta de consulta a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores da região. O MPF recomendou a suspensão do licenciamento até que essas comunidades fossem ouvidas. A ação judicial solicita a reformulação dos estudos, alegando riscos ao abastecimento hídrico e possíveis contaminações no Lago Guaíba. No entanto, tanto a Justiça de primeira instância quanto o Tribunal Regional Federal da 4ª Região rejeitaram a suspensão, permitindo a continuidade do processo.
Processo de licenciamento ambiental em andamento
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) conduz o licenciamento ambiental da fábrica e informa que o processo segue normalmente. Atualmente, aguarda manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que solicitou esclarecimentos à CMPC. A empresa respondeu em 25 de outubro, e a Funai continua a análise da documentação. A expectativa é que a licença prévia seja emitida em breve, consolidando avanços do projeto.
Compromisso com sustentabilidade e impacto social
Dos mais de 500 mil hectares que a CMPC possui no Rio Grande do Sul, metade é destinada ao cultivo de eucalipto e 45% à conservação ambiental. A empresa mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural e possui certificação internacional de sustentabilidade para todo o seu patrimônio florestal. Atualmente, a operação florestal da CMPC emprega mais de 4,7 mil pessoas no estado.
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Histórico da CMPC no Brasil e no Rio Grande do Sul
Presente no Rio Grande do Sul desde 2009, após a aquisição da unidade em Guaíba, a CMPC tem sede no Chile e atua em vários países. Em 2025, a companhia faturou US$ 7,5 bilhões. No Brasil, opera 10 unidades industriais em sete estados, além de manter atividades florestais em 75 municípios gaúchos. A fábrica de Guaíba é a maior unidade de celulose da empresa no mundo, beneficiada por ciclos de crescimento do eucalipto mais rápidos do que no Chile, o que aumenta a competitividade.
Linhas de negócios e tendências do setor
A CMPC atua principalmente nos segmentos de celulose, embalagens e cuidados pessoais, como papel higiênico. Embora a demanda por papel para escrita e impressão tenha se estabilizado após queda, o consumo de produtos para uso doméstico cresce. O aumento das compras online e das entregas impulsiona a procura por embalagens de papelão, que ganham espaço como alternativa sustentável às embalagens plásticas. Inovações, como garrafas de papel, também surgem como oportunidades para o setor, segundo Ignacio Lira.
