Festival Miolo propõe diálogo entre literatura e outras áreas do conhecimento
Santa Maria da Feira prepara o lançamento do festival Miolo, marcado para 25 de setembro. Inspirado no tema “Do interior do livro ao interior do pensamento”, o evento quer estabelecer uma ponte entre a literatura e campos como filosofia, política, sociologia, ciência e design. A iniciativa da câmara municipal do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto busca criar um ambiente onde o pensamento crítico e a cultura se entrelaçam de forma inovadora e plural.
Programa diversificado com convidados nacionais e internacionais
A programação de estreia ainda está sendo finalizada, mas já confirma presenças de peso. Entre os nomes internacionais, destacam-se a urbanista e promotora cultural norueguesa Anne Beate Hovind, a escritora espanhola Clara Usón e o designer e ilustrador Isidro Ferrer, também da Espanha. No elenco português, participam o advogado e ex-governante Adolfo Mesquita Nunes, a dramaturga Joana Bértholo e o premiado escritor Gonçalo M. Tavares.
Literatura como ponto de partida para o pensamento complexo
Paulo Marcelo, vereador da Cultura da Câmara de Santa Maria da Feira, defende que o Miolo nasce da ideia de que a política cultural deve oferecer espaço e tempo para reflexão. Segundo ele, a literatura permite explorar o complexo universo do pensamento humano, criando diálogos entre ideias que normalmente ficam separadas. O festival quer que o público se envolva em debates que abracem não só a literatura, mas também a ciência, a filosofia, a política, o design e a música.
Entrada gratuita e programação aberta ao público
O Miolo será realizado na Biblioteca Municipal e terá entrada franca, mas o público deve reservar lugar para cada sessão, com as inscrições previstas para abrir no início de setembro. O evento propõe um programa de debates e reflexão baseado em temas literários e questões atuais, sem seguir o modelo comercial tradicional do mercado editorial. A pluralidade de vozes e o estímulo ao diálogo são prioridades para a organização.
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Convidados trazem perspectivas diversas e enriquecem o debate
Os participantes foram escolhidos por suas trajetórias singulares e pelo potencial de ampliar as discussões. Anne Beate Hovind, por exemplo, é reconhecida internacionalmente por seu trabalho em desenvolvimento urbano que cruza arte, arquitetura e espaço público. Ela também coordena o projeto “Future Library 2014-2114 / Biblioteca Futura”, que reúne manuscritos inéditos para serem publicados em 2114, promovendo uma ligação entre gerações através da arte e da literatura.
Clara Usón, com sua carreira que transitou da advocacia para a literatura, é uma voz marcante na cena espanhola contemporânea. Isidro Ferrer é um dos principais criadores visuais da Espanha, conhecido por obras que combinam design, ilustração e poesia visual. Já Adolfo Mesquita Nunes, além de sua experiência política, atua como advogado e professor, com foco em políticas públicas e regulação da inteligência artificial.
Joana Bértholo traz ao evento sua produção literária que aborda temas urgentes como o capitalismo, a crise climática e as relações entre humanos e natureza. Gonçalo M. Tavares, reconhecido com o Prémio Saramago, tem obra traduzida para mais de 60 países e adaptações em diversas linguagens artísticas.
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Três dias organizados em movimentos temáticos
O festival está dividido em três dias com focos distintos: o primeiro, “dar forma”, explora o processo de criação e materialização das ideias; o segundo, “pensar”, se dedica à análise das transformações do presente; e o terceiro, “narrar”, volta à literatura como guardiã da memória e da imaginação sobre o futuro. Cada encontro usa a literatura para provocar questionamentos e apresentar diferentes perspectivas, estimulando o público a refletir além das aparências.
Atividades complementares e proposta para todas as gerações
Além das palestras, o Miolo inclui exposições, espetáculos e atividades de mediação cultural, com o objetivo de alcançar públicos variados e aproximar diferentes relações com a leitura. A proposta é tratar temas complexos com acessibilidade, garantindo que o festival seja um espaço de pensamento em movimento, onde os livros servem como ponto de partida para debates que se estendem para além das páginas.
Paulo Marcelo ressalta que o Miolo pretende ser um encontro literário que não encerra discussões, mas as abre, promovendo um ambiente de diálogo e pensamento crítico para Santa Maria da Feira e região.
