Fim de um ciclo para o Bloco em Pelotas
Após quase seis anos oferecendo uma combinação de gastronomia e entretenimento, o bar Bloco anunciou o encerramento definitivo das suas atividades em Pelotas. A despedida está marcada para 1º de novembro, mas antes disso, o local preparou uma série de eventos especiais para reunir clientes, músicos e amigos que fizeram parte da história do estabelecimento.
O proprietário do Bloco, Juliano de Oliveira Drummond, conhecido como Juca, comunicou o fechamento pelas redes sociais. Para ele, a decisão foi motivada por diversos fatores, incluindo o aumento dos custos operacionais, a queda no consumo e questões relacionadas ao imóvel onde o bar funciona.
“Foi uma experiência muito positiva. Conheci muitas pessoas incríveis e trabalhei com uma equipe dedicada. Embora seja triste, o fechamento envolve questões muito além das finanças. Ao longo deste ano, vários sinais mostraram que era hora de encerrar esse ciclo”, explicou Juca.
Despedida marcada por música e reencontros
Em vez de encerrar as atividades de forma abrupta, Juca optou por transformar as últimas semanas em uma celebração da trajetória do Bloco. A programação inclui apresentações musicais com participação de artistas que já passaram pelo local. No último fim de semana de funcionamento, o bar abrirá de quinta a domingo para receber o público pela última vez.
“Pensamos em eventos especiais, chamando os músicos que já tocaram aqui para se despedirem com chave de ouro”, afirmou o empresário.
O Bloco nasceu de um sonho antigo de Juca, que idealizou o projeto quando tinha cerca de 23 anos, ainda planejando morar em Porto Alegre. Sem recursos para iniciar o negócio na época, o projeto foi adiado. Anos depois, durante uma visita a Pelotas enquanto morava no Rio de Janeiro, ele decidiu retomar o plano. O bar foi inaugurado em fevereiro de 2021, marcando o primeiro empreendimento do empresário.
“Foi um projeto de vida. Sempre quis realizar esse sonho, consegui e vivi tudo isso intensamente. Vou sentir falta das amizades, dos eventos e das pessoas que conheci. Mas ciclos têm começo e fim”, concluiu.
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Desafios financeiros e mudanças no comportamento do público
O encerramento do Bloco também reflete as dificuldades enfrentadas pelo setor noturno na cidade. Segundo Juca, o fluxo de clientes se manteve estável, porém o gasto médio por pessoa caiu significativamente.
Ele revelou que o tíquete médio, que girava em torno de R$ 93 em 2023 e 2024, caiu para aproximadamente R$ 58 atualmente, representando uma redução de cerca de 38%.
“O poder de compra do público está muito baixo. Os custos dos insumos dispararam, mas não conseguimos repassar todos esses aumentos nos preços. Alguns produtos dobraram de preço, mas não é viável dobrar o valor para o cliente. A margem de lucro fica cada vez menor”, comentou o empresário.
O Bloco recebe entre 1,3 mil e 1,6 mil clientes por mês, segundo Juca. Ele também notou uma mudança no comportamento do público, que agora chega mais próximo ao início das apresentações e permanece menos tempo no local.
“Antes, as pessoas chegavam às seis ou sete horas para garantir uma mesa. Hoje, muitos chegam só quando o músico começa a tocar, ficando menos tempo e gastando menos”, observou.
Estrutura e futuro: novo projeto em São Lourenço do Sul
Atualmente, o Bloco emprega sete trabalhadores diretos, além de profissionais contratados para eventos. Manter essa estrutura tornou-se financeiramente desafiador para Juca, que já planeja o próximo passo no setor.
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O empresário prepara o lançamento do Bloco Verano, previsto para dezembro em São Lourenço do Sul, voltado à temporada de verão. Ele acredita que o turismo local e os custos operacionais mais baixos podem contribuir para o sucesso da nova operação.
“Estou bastante entusiasmado com São Lourenço. É um ambiente novo, com potencial turístico, onde as pessoas costumam investir em lazer e férias. Além disso, os custos devem ser menores”, afirmou.
Após a experiência em São Lourenço do Sul, Juca pretende retornar a Pelotas com um formato diferente. A ideia é abrir um espaço menor, com atendimento mais reservado, estrutura reduzida e capacidade para menos pessoas, adaptado à realidade atual do consumo.
“Queremos um novo Bloco aqui, mais enxuto, com um cardápio de qualidade e atendimento discreto, para reduzir custos e manter preços acessíveis”, projetou.
Recordações e encerramento
Por ora, o foco está nas últimas apresentações e na despedida do bar que marcou a trajetória do empresário como empreendedor.
“Sentirei falta de tudo: das amizades, dos eventos, das pessoas que conheci. O Bloco foi uma experiência muito rica. Mas faz parte da vida, ciclos se encerram e ficam as lembranças”, finalizou Juca.
