Canoas avança no mapa das cidades inteligentes
A entrada de Canoas no projeto nacional “Cidades + Inteligentes” reacende uma discussão essencial: de que forma a tecnologia pode redesenhar as cidades para torná-las mais eficientes e sustentáveis? Inspirando-se em exemplos que vão de Vitória, no Espírito Santo, até Songdo, na Coreia do Sul, a cidade do Sul (RS) dá um passo decisivo rumo a um futuro urbano conectado.
Na última segunda-feira (14 de setembro), Canoas marcou presença na 1ª Oficina de Capacitação, Inspiração e Nivelamento Conceitual da Região Sul para o projeto “Cidades + Inteligentes”, realizada na Universidade de Caxias do Sul (UCS). O encontro reuniu representantes de cinco municípios da Região Sul, selecionados pelo Ministério das Cidades em parceria com a UFRGS: Castro e Curitiba (PR), além de Bento Gonçalves, Canoas e Caxias do Sul (RS).
Integração da tecnologia no planejamento urbano
O projeto, que vai até dezembro de 2026, oferece assessoria técnica para que esses municípios desenvolvam estratégias inovadoras. Em Canoas, essas soluções serão incorporadas à revisão do Plano Diretor Urbano e Ambiental, com foco em tornar a cidade mais inteligente e sustentável. Daniela Fontoura, secretária de Projetos e Captação de Recursos de Canoas, ressalta que o objetivo é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos canoenses com iniciativas tecnológicas alinhadas à sustentabilidade.
Um dos principais projetos que garantiram a participação de Canoas no programa é a Rua Inteligente, prevista para a Rua Coronel Vicente, no Centro. A iniciativa prevê a instalação de sensores, câmeras de monitoramento e internet gratuita, além de melhorias na infraestrutura para oferecer maior conforto e segurança a pedestres e motoristas. Trata-se de transformar uma via central em um ambiente urbano conectado e eficiente.
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O que realmente significa ser uma cidade inteligente?
Apesar do conceito parecer distante, uma cidade inteligente não é um cenário de ficção científica. O foco está em usar dados e conectividade, como a Internet das Coisas (IoT), para otimizar serviços essenciais. Boyd Cohen, pesquisador em inovação urbana, define cidades inteligentes como aquelas que aplicam tecnologia para melhorar a mobilidade, a gestão de resíduos, a segurança pública e o consumo energético, promovendo eficiência e qualidade de vida.
Exemplos nacionais que inspiram inovação
O progresso das cidades brasileiras é mensurado pelo Ranking Connected Smart Cities 2025, que destaca iniciativas relevantes em todo o país. Vitória (ES) lidera o ranking geral, destacando-se pela oferta de serviços inovadores, como o programa “Porta a Porta” da Rede de Atenção ao PCD, que usa tecnologia para garantir mobilidade agendada e inclusiva.
Curitiba (PR), parceira de Canoas no projeto, é reconhecida mundialmente por sua gestão eficiente de resíduos, esgoto e água, além do sistema inteligente de transporte rápido por ônibus (BRT). Outras cidades como Niterói (RJ) e Florianópolis (SC) também se destacam, respectivamente, pela digitalização de processos administrativos e por abrigar ecossistemas de startups que colaboram com a administração pública.
Inovação que começa na digitalização das prefeituras
Para muitas cidades brasileiras, o primeiro passo rumo à inteligência urbana tem sido a digitalização dos serviços públicos. A eliminação do papel, a agilização de aprovações e a segurança dos dados em nuvem são avanços que impactam diretamente no atendimento ao cidadão e na eficiência da gestão municipal.
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Iniciativas globais que mostram o caminho
No cenário internacional, cidades como Songdo (Coreia do Sul) e Copenhague (Dinamarca) servem como referência para a inovação sustentável. Songdo, construída do zero e planejada ao redor do aeroporto, utiliza sensores subterrâneos para monitorar o tráfego em tempo real e reprogramar semáforos, reduzindo congestionamentos. A cidade ainda investe em áreas verdes e reaproveitamento inteligente de recursos.
Copenhague destaca-se pela mobilidade sustentável, com metade da população utilizando bicicletas orientadas por aplicativos que indicam rotas rápidas e semáforos sincronizados. A cidade substituiu a frota de ônibus a diesel por veículos elétricos e usa dados para monitorar vazamentos e controlar o consumo de água, mirando a meta ambiciosa de emissão zero de carbono.
Singapura e Dubai: digitalização como modelo
Singapura figura frequentemente no topo de rankings globais por seu equilíbrio entre digitalização e funcionalidade social. Dubai (EAU), por sua vez, busca ser uma cidade totalmente digital, oferecendo mais de 100 serviços governamentais por meio do aplicativo DubaiNow, eliminando o uso do papel e facilitando processos para a população.
O envolvimento de Canoas no projeto “Cidades + Inteligentes” coloca a cidade do Sul (RS) no caminho das principais referências nacionais e internacionais em inovação urbana. A partir da tecnologia aplicada ao planejamento e à gestão, o projeto promete impactar diretamente o cotidiano dos cidadãos, com soluções que promovem sustentabilidade, segurança e conectividade real nas ruas e espaços públicos.
