Perfil dos Artesãos de Lã no Rio Grande do Sul
Uma pesquisa recente sobre o artesanato em lã e pele ovina no Rio Grande do Sul trouxe à luz informações importantes sobre os profissionais que mantêm essa prática artesanal viva no estado. O estudo abrangeu 320 artesãos de 89 municípios e foi apresentado no dia 3 de setembro, durante a 49ª Expointer, evento realizado no Parque Assis Brasil, em Esteio.
Essa produção artesanal é reconhecida como patrimônio cultural e representa uma fonte significativa de renda para as famílias que preservam técnicas e saberes tradicionais. O levantamento coletou dados referentes ao contexto produtivo, cultural e social do artesanato em lã, permitindo uma visão ampla dessa atividade.
Características e Realidade dos Artesãos
Organizada em quatro eixos temáticos — perfil, formas de trabalho, impacto na renda e aspirações —, a pesquisa revelou que a maioria dos artesãos é composta por mulheres, representando 91% dos entrevistados. Quanto à faixa etária, 58% estão entre 60 e 79 anos, enquanto 33% têm entre 40 e 59 anos.
O estudo destacou uma forte ligação entre a atividade artesanal e práticas agropastoris, evidenciando que muitos artesãos integram o trabalho manual nas estratégias de geração de renda no meio rural.
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Dalva da Luz Pereira Mothci, artesã de 64 anos, compartilha sua trajetória de 45 anos dedicada ao trabalho com lã, que por muito tempo foi sua única fonte de sustento. Atualmente aposentada, Dalva também ministra oficinas, transmitindo seu conhecimento para novas gerações.
Distribuição Geográfica e Influência Cultural
A pesquisa indicou que 58% dos artesãos vivem em áreas rurais, 36% em áreas urbanas e 6% transitam entre esses espaços. A cultura gaúcha está no coração dessa tradição, com 75% dos entrevistados inspirados pela identidade regional.
Essa influência aparece no estilo das peças, mencionada por 63% dos artesãos, e na escolha dos materiais, citada por 55%. O artesanato inclui uma variedade de produtos, como mantas, xergões, ponchos, além de acessórios e vestimentas típicas do campo.
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Desafios e Perspectivas para o Artesanato
A transmissão das habilidades é um ponto crucial para a continuidade da tradição. A troca de conhecimentos acontece principalmente no ambiente familiar e comunitário. Apesar dos benefícios como ocupação, lazer e aumento da autoestima, os artesãos enfrentam desafios reais, como a limitação de tempo, recursos escassos e dificuldades na comercialização.
“É fundamental que essas tradições sejam passadas adiante para que não se percam”, afirmou Ivanir Argenta, coordenadora da pesquisa.
O estudo foi apresentado por Ivanir Argenta, extensionista rural social, durante a Expointer. A iniciativa contou com a participação de Letícia de Cássia, coordenadora do Projeto Lãs do RS, que trabalha em parceria com a Emater/RS-Ascar. O levantamento recebeu apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
