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    Clima e custos pressionam produção de batata no RS e no Brasil

    Mariana FigueiróPor Mariana Figueiró03/10/2026Nenhum comentário5 min de leitura
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    Clima e custos pressionam produção de batata no RS e no Brasil
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    Preços da batata-inglesa disparam para consumidores gaúchos

    O preço da batata-inglesa passou por uma oscilação intensa no primeiro semestre de 2026, impactando diretamente os consumidores do Rio Grande do Sul. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o custo médio do quilo da batata na Cesta Básica de Porto Alegre subiu de R$ 3,60 em janeiro para R$ 8,79 em junho — um aumento de 144,2%. Apesar da queda para R$ 5,43 em agosto, o produto ainda acumula alta de 34,07% no ano e 37,47% nos últimos 12 meses.

    Disparidade entre preços ao consumidor e ao produtor

    Embora os consumidores tenham sentido elevação nos valores, o pesquisador do Cepea Esalq/USP João Paulo Bernardes Deleo ressalta que o preço pago ao produtor nem sempre acompanha essa tendência. Em 2026, o preço médio da saca de 25 kg da batata lavada apresentou picos em maio (R$ 124,88) e junho (R$ 108,60), mas começou o ano com valores baixos, como R$ 37,15 em janeiro. Após julho e agosto, os valores voltaram a cair para R$ 61,37 e R$ 51,49, respectivamente. Em 2025, o mercado já mostrava cotações achatadas, variando de R$ 29,79 a R$ 69,90.

    Clima e custos pressionam a produção nacional

    O setor enfrenta desafios significativos, sobretudo devido à instabilidade climática e aos custos crescentes. Marcos Boschini, presidente da Associação Brasileira de Batata In Natura (Abbin), explica que o fenômeno El Niño afetou negativamente as principais regiões produtoras do país, como Minas Gerais e São Paulo, com temperaturas elevadas e chuvas acima da média. No Sul do país, Rio Grande do Sul e Paraná enfrentam dificuldades climáticas que podem reduzir a oferta e elevar os preços a partir de dezembro.

    Para compensar as possíveis perdas no Sul, regiões como o Triângulo Mineiro e a Bahia ampliam a área cultivada, mas Boschini alerta que essa expansão dificilmente equilibrará o mercado interno se as perdas se confirmarem. O custo para produzir um hectare de batata varia entre R$ 55 mil e R$ 70 mil, incluindo mão de obra, sementes, arrendamento e irrigação.

    Leia também: Clima e Custos Elevados Impactam Produção de Batata no Rio Grande do Sul e no Brasil

    Fonte: soudesaoluis.com.br

    Leia também: Clima e Custos Elevados Impactam a Produção de Batata no Rio Grande do Sul e Brasil

    Fonte: soudejuazeiro.com.br

    Concorrência da batata industrializada importada

    Na indústria, produtores enfrentam concorrência acirrada da batata pré-frita importada, vendida a preços próximos ou inferiores ao custo de produção nacional. São Francisco de Paula é um dos polos de processamento que refletem essa realidade. Atualmente, cerca de 65% da produção de batata no Brasil é destinada ao consumo in natura, enquanto 35% vão para a indústria. Do total consumido industrialmente, 37% é importado, principalmente da Argentina (55%), Bélgica (17%) e Holanda (11%).

    Plantio no RS sofre atraso devido ao excesso de chuva

    O Rio Grande do Sul iniciou o plantio da batata, que deve se estender até fevereiro, mas o excesso de chuva tem atrasado o calendário. Segundo Orlando Junior Kramer Velho, extensionista da Emater/RS-Ascar, apenas cerca de 5% das lavouras estão plantadas, contra uma quantidade significativamente maior em anos anteriores. Apesar do atraso, ele avalia que isso não compromete o resultado final da safra, já que outras culturas terão áreas reduzidas, liberando espaço para a batata.

    O RS conta com 872 unidades produtivas e uma área cultivada de 18.159,96 hectares. A produção estimada, somando safra e safrinha, é de 608,3 mil toneladas, com produtividade média de 33,5 toneladas por hectare. Bom Jesus é o maior produtor estadual, atraindo famílias como a de Elizando Wonsovicz, que mantém a tradição na cultura desde a década de 1980. A propriedade de Wonsovicz planeja cultivar 350 hectares de batata, além de áreas com milho e soja, atendendo mercados no Brasil e em países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai.

    Mercado enfrenta desafios financeiros e mudanças no consumo

    Wonsovicz destaca que o mercado da batata tem estado crítico nos últimos dois anos, afetado por períodos alternados de seca e excesso de chuva. Ele também aponta que o preço pago ao produtor está abaixo do necessário para cobrir os custos de produção, agravado pela concorrência da batata pré-cozida importada, que possui custo inferior ao produto nacional. O aumento das cargas tributárias no Brasil dificulta a competitividade das indústrias locais.

    Leia também: Produção de batata no RS enfrenta clima e custos elevados, impactando preços

    Fonte: cidaderecife.com.br

    Redução no consumo e necessidade de reinvenção do setor

    O consumo per capita de batata in natura no Brasil caiu de 16 quilos por pessoa há 20 anos para cerca de 12 quilos atualmente, segundo a Abbin. Marcos Boschini explica que, culturalmente, a batata é vista no país como um legume, diferente da Europa e Argentina, onde é valorizada como alimento básico e fonte de carboidrato.

    Frente a esse cenário, o setor busca formas de se reinventar para recuperar espaço no mercado. A batata tem papel histórico importante como alimento que combateu crises alimentares na Europa nos séculos XVII e XVIII e que foi introduzida no Brasil por imigrantes europeus no século XIX, inicialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Além do impacto na agricultura e alimentação, a batata também marcou a arte, sendo tema de obras de Vincent van Gogh, como “Os Comedores de Batata” (1885) e “Natureza-Morta com Batatas” (1886), refletindo a simplicidade da vida rural e a importância do tubérculo na cultura.

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    Mariana Figueiró

    Curiosa por bastidores de empresas, Mariana Figueiró percorre Porto Alegre ouvindo de perto quem sente no caixa, no emprego e na rua as mudanças da economia. Nos textos, traduz números, decisões e disputas em histórias claras para quem quer entender como cada movimento nos negócios chega ao dia a dia gaúcho.

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