Tradições gaúchas ganham força longe do Rio Grande do Sul
Mesmo distantes do Rio Grande do Sul, grupos de gaúchos espalhados pelo mundo mantêm vivas as tradições do estado. Em cidades como Braga, Portugal, e Oslo, Noruega, o chimarrão, o churrasco e as celebrações da Semana Farroupilha se transformam em importantes conexões culturais para quem está a milhares de quilômetros de casa.
Comunidade em Portugal fortalece laços com a cultura gaúcha
Natural de Santa Maria, Alexandro Maffei, 47 anos, nunca havia participado de CTG ou piquete enquanto morava no Rio Grande do Sul. Foi somente após se mudar para Portugal que começou a se engajar nas tradições gaúchas. Em Braga, onde vive há seis anos para cursar doutorado em engenharia mecânica, ele integrou a patronagem do Piquete Querência da Saudade, que prepara um festejo da Semana Farroupilha para setembro, com expectativa de reunir mais de 700 pessoas.
“Embora sempre tenha orgulho de ser gaúcho, tomar chimarrão e fazer churrasco, nunca fui tradicionalista. Só aqui em Portugal comprei minha primeira pilcha e entrei para uma associação. Antes tarde do que mais tarde!”, relata Alexandro. O grupo de Braga surgiu em 2019, quando gaúchos se reconheceram durante o Dia do Brasil na cidade, ajudados pelas camisetas do Grêmio e Internacional. Desde então, o piquete cresceu e se consolidou como ponto de encontro para a cultura gaúcha na região.
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Vikings de Bombacha preservam costumes na Noruega
Na capital norueguesa, um grupo chamado Vikings de Bombacha mantém a tradição gaúcha há quase dez anos. Promovendo pelo menos dois eventos anuais, o grupo organiza um acampamento farroupilha em 20 de setembro e uma churrascada na neve com a chegada do inverno do Hemisfério Norte.
O idealizador da comunidade é natural de Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte do RS, e mudou-se para a Noruega em 2019 após a esposa receber proposta de trabalho em uma empresa com forte atuação no Rio Grande do Sul. Um dos rituais do grupo é o churrasco na neve, onde cerca de 40 pessoas viajam até montanhas próximas a Oslo para assar costela em temperaturas que podem chegar a doze graus negativos.
Encontrar cortes de carne tradicionais do RS nos mercados noruegueses é um desafio, já que a alimentação local é mais regrada. Por lá, a costela é usada principalmente em ensopados, e a picanha é um dos cortes mais baratos, devido ao cuidado em evitar excesso de gordura na dieta.
Distância intensifica apego às raízes culturais
Essas histórias ilustram um fenômeno comum entre os gaúchos que vivem longe do estado: a distância acaba intensificando o apego às tradições. O chimarrão, o churrasco, a música e os encontros entre conterrâneos funcionam como formas de manter viva a ligação com a terra natal, independentemente da distância.
