Programação marca seis décadas do assassinato do sargento Manoel Raimundo Soares
Porto Alegre recebe uma série de eventos para lembrar os 60 anos da morte do sargento Manoel Raimundo Soares, vítima de tortura e assassinato por militares em 1966. Conhecido como o “Caso das Mãos Amarradas”, o episódio ganhou destaque por evidenciar a repressão do regime militar no Rio Grande do Sul. A exposição “60 anos do assassinato do sargento Manoel Raimundo Soares”, organizada pelo gabinete do vereador Giovani Culau (PCdoB), ficará aberta ao público entre os dias 12 e 21, no salão Adel Carvalho da Câmara Municipal, com visitação das 8h30 às 18h. A abertura oficial será realizada às 13h do dia 12.
Cine-debate traz documentário e discussão sobre o período de repressão
Na sequência, no dia 13, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e a Associação de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Rio Grande do Sul (AEPPP-RS) promovem um cine-debate no Salão de Atos da ARI, localizado na avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar. O documentário “Manoel e Betinha” retrata a trajetória de clandestinidade, prisão e tortura sofridas por Soares, além das consequências de seu desaparecimento e morte. Após a exibição, o jornalista Rafael Guimarães e o desembargador João Batista Tovo participam de um debate, mediado pela presidente da ARI, a jornalista Cláudia Coutinho.
Contexto histórico do Caso das Mãos Amarradas
Manoel Raimundo Soares, ligado ao ex-governador Leonel Brizola, teve sua prisão decretada após o golpe militar de 1964 e passou a atuar na clandestinidade. Em março de 1966, foi capturado em Porto Alegre por militares à paisana, levado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e posteriormente transferido para a Ilha do Presídio. Após meses de tortura, Soares foi assassinado enquanto estava sob custódia do Estado. Seu corpo foi encontrado nas águas do Guaíba, com as mãos amarradas e sinais claros de violência. O Caso das Mãos Amarradas se tornou um símbolo da brutalidade contra presos políticos no Rio Grande do Sul durante a ditadura, incluindo sua passagem pelo Dopinho, centro clandestino de tortura localizado na rua Santo Antônio, Porto Alegre.
