Reações dos adversários de Lula ao tarifaço dos EUA
Os adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestaram críticas contundentes à condução do governo federal nas negociações relacionadas ao tarifaço confirmado pelos Estados Unidos na noite de quarta-feira (15). Segundo esses opositores, o Brasil não adotou uma postura técnica adequada durante as conversas que culminaram na imposição das sobretaxas.
Além do questionamento sobre a gestão das negociações, houve acusações de que o presidente Lula estaria utilizando o tarifaço para fins eleitorais, priorizando interesses políticos em detrimento das demandas nacionais. Em contraposição, Lula respondeu às críticas atacando a família Bolsonaro, qualificando seus adversários como “falsos patriotas”.
Declarações dos presidenciáveis sobre o tarifaço
Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificou Lula como “ranzinza” e “inconsequente”, comparando-o ao ex-presidente dos EUA, Joe Biden. Em suas redes sociais, afirmou que Lula perdeu a capacidade de governar o país, dizendo que o Brasil está “num avião sem piloto”. “O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação”, declarou o senador após o anúncio do tarifaço.
Flávio ainda destacou que, ao observar Lula, não se enxerga futuro, mas sim “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!”.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em nota divulgada na quinta-feira, condenou o tarifaço dos EUA e responsabilizou o governo brasileiro pela falta de habilidade nas negociações. Para Zema, a medida protecionista prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os laços históricos entre os dois países. Ele expressou preocupação com os impactos sobre a indústria nacional, que pode perder competitividade no mercado americano, fundamental para os produtos brasileiros.
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Segundo Zema, o governo federal adotou um discurso eleitoreiro e criou atritos desnecessários. “Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica”, completou.
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e pré-candidato pelo PL, manifestou indignação diante do novo tarifaço em vídeo divulgado nas redes sociais. Ele classificou a sobretaxa como uma penalização direta aos trabalhadores e produtores brasileiros.
Caiado criticou a postura do governo federal, lembrando que enquanto um lado fazia piadas sobre a dentadura do ex-presidente americano Donald Trump, o outro pedia o adiamento da medida para depois das eleições. “Eu pergunto ao Lula e ao Flávio: Vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral? O Brasil ficou de fora da defesa de vocês e está sendo penalizado agora”, concluiu.
Renan Santos, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato pelo partido Missão, classificou as tarifas como “uma situação ridícula”. Ele afirmou que o Brasil sofre as consequências da política internacional de Donald Trump e criticou tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula. Segundo Renan, depois que Flávio viajou aos Estados Unidos para defender os interesses brasileiros, seu irmão comemorava e pregava a aplicação de leis e sanções americanas contra o país.
Para o coordenador do MBL, o governo Lula teria interesse político nas tarifas. Ele afirmou que o presidente minimizava o tema e no silêncio do Palácio do Planalto torcia pela sanção americana para aumentar sua popularidade em confronto com Trump.
Justificativa oficial dos Estados Unidos para o tarifaço
De acordo com o governo americano, a sobretaxa foi estabelecida após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O USTR apontou que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal contra empresas americanas.
A ação de aplicar tarifas adicionais visa “eliminar práticas desleais de comércio investigadas”. Em relação ao Pix, o USTR o classificou como um “campeão nacional” que cria condições desleais para o comércio eletrônico.
Na quinta-feira (16), o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, manifestou-se no X, responsabilizando o governo brasileiro pelo tarifaço. Rubio afirmou que o presidente Lula e sua equipe não negociaram com boa-fé, e que suas políticas econômicas são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros.
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, completou o secretário americano.
