Um Mundial que une tradição e competição em Porto Alegre
Enquanto o mundo acompanha a expectativa pela Copa do Mundo de 2026, em Porto Alegre, um grupo de apaixonados pelo futebol de botão vive sua própria batalha pelo título mais importante do esporte. Na Associação Washington Luiz de Futebol de Mesa, 21 jogadores disputam a Copa do Mundo do futebol de botão, um torneio que acontece a cada quatro anos e mantém uma tradição que já ultrapassa quase três décadas.
Conhecido popularmente como futebol de botão, esse esporte de mesa vai além da simples diversão para os membros da associação. Durante o ano, são organizados campeonatos temáticos que remetem às principais competições do futebol mundial, como Brasileirão, Libertadores e Champions League. No entanto, a Copa do Mundo é o evento mais aguardado e reúne os melhores botonistas em uma disputa acirrada e estratégica.
Formato e regras do torneio
O atual campeão, Lídio Curuja, é um dos destaques da competição e revela que, desde o fim da última edição, já está focado em defender seu título. “Assim que acabou a última Copa, em que fui campeão, comecei a pensar na próxima para tentar o bi. A competição será dura, com muitos adversários fortes”, afirma.
Este ano, o campeonato conta com 21 participantes divididos em três grupos de sete jogadores cada. Os cinco melhores de cada grupo avançam para as oitavas de final, junto com o sexto colocado com a melhor campanha entre os grupos. As partidas acontecem na sede da associação, localizada na Rua José do Patrocínio, 570, em Porto Alegre, todas as segundas-feiras, às 19h30min, com jogos simultâneos na fase de grupos.
O torneio segue a Regra Gaúcha, uma das principais modalidades do futebol de mesa no Rio Grande do Sul. Cada jogador tem direito a um toque por vez, alternando as jogadas com o adversário. O objetivo é manter a bola no campo adversário, já que a finalização só é permitida após ultrapassar a linha divisória. Essa dinâmica exige um constante equilíbrio entre ataque e defesa, lembrando uma partida de xadrez, como define Zilmar Ramos Pujol, um dos organizadores do evento.
Amizade e paixão que ultrapassam gerações
Mais do que competição, o torneio é palco de encontros que fortalecem a amizade entre pessoas de diferentes idades e profissões, unidas pela paixão pelo futebol de mesa. “Toda vez que estamos aqui, esquecemos o mundo lá fora”, comenta Pujol, destacando o ambiente acolhedor da associação.
Lídio Curuja pratica a modalidade há cerca de 40 anos e ressalta que o entusiasmo permanece o mesmo desde o início. “Sempre a expectativa é pelo próximo campeonato, que será o melhor até então”, afirma. Nesta edição, as seleções representam os países classificados para a Copa do Mundo de 2026, escolhidas com base na ascendência, identificação cultural ou tradição no futebol internacional. Curuja defende os Estados Unidos, seleção que escolheu por estar disponível no momento da escolha.
Desafios para atrair as novas gerações
Renovar o quadro de jogadores é um dos principais desafios enfrentados pela Associação Washington Luiz. Entre os 21 participantes deste Mundial, nenhum tem menos de 30 anos. Segundo Pujol, o avanço dos celulares, videogames e outras formas de entretenimento dificulta a atração de crianças e adolescentes para o futebol de mesa. Ainda assim, o grupo continua aberto para novos integrantes de todas as idades.
“A maior parte da nossa turma é mais velha, mas buscamos crianças que queiram jogar. Não há problema em começar em qualquer idade”, explica Curuja. Para Cláudio Mastrangelo, dirigente da associação, o contato direto com o jogo é fundamental para despertar o interesse das crianças. “Nada melhor do que experimentar o futebol de botão para se apaixonar”, destaca.
Além de entreter, a prática desenvolve concentração, estratégia e convívio social, razões que explicam a longevidade dos jogadores na modalidade. Apesar dos desafios, Mastrangelo mantém otimismo e ressalta que competições nacionais já contam com categorias de base, o que pode impulsionar a renovação no esporte.
Preservando uma tradição que une gerações
Para os botonistas da Associação Washington Luiz, manter viva a tradição do futebol de mesa é preservar décadas de amizade, estratégia e paixão pelo esporte. Todas as segundas-feiras, a sede da associação se transforma em um palco onde a paixão pelo futebol encontra nova forma de expressão, em torno de uma mesa e com botões que carregam histórias e rivalidades.
Com partidas cheias de estratégia e um ambiente que valoriza o convívio, o torneio da Copa do Mundo de futebol de botão segue firme em Porto Alegre, revelando que, para quem vive esse esporte, a emoção da disputa é tão intensa quanto a de qualquer grande campeonato.
