Impacto das enchentes de 2024 ainda ressoa no comércio local
Em Porto Alegre, a livraria Taverna, localizada na entrada do Centro de Cultura Mário Quintana, é um exemplo claro do impacto das chuvas e enchentes na economia local. O espaço, que normalmente atrai turistas e moradores graças à sua localização privilegiada perto do Guaíba, sofreu grandes perdas na enchente de maio de 2024, considerada a pior da história do Rio Grande do Sul. Com a água chegando à altura da cintura, móveis foram destruídos, centenas de livros se perderam e o prejuízo ultrapassou os R$ 200 mil.
Após dois anos de recuperação, a livraria retomou sua rotina de eventos e atividades, mas o anúncio do retorno do fenômeno El Niño pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reacendeu a preocupação do fundador André Günther. A previsão da NOAA indica uma chance acima de 90% de que o fenômeno se intensifique entre setembro e novembro, trazendo chuvas mais fortes para o Sul do país, incluindo o Rio Grande do Sul.
Preocupação e adaptação diante do risco de novas chuvas intensas
O El Niño não garante uma nova enchente, mas mesmo uma semana de chuvas fortes pode alterar a rotina da cidade. Günther relata que a livraria já ajusta seus planos para essa possibilidade, preparando cursos e oficinas em formatos híbridos, que combinam atividades presenciais e online, para garantir uma fonte de receita caso as atividades presenciais sejam interrompidas.
“Estamos muito apreensivos, acompanhando todas as notícias sobre o El Niño e a previsão do tempo”, afirma o empresário. A incerteza, no entanto, pesa no planejamento, especialmente para eventos que demandam organização com meses de antecedência.
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Mercado Público: recuperação lenta e falta de fôlego para novas crises
Nas proximidades, o Mercado Público de Porto Alegre, equipamento histórico inaugurado em 1869, ainda sente os efeitos da enchente que inundou o espaço em 2024, com níveis de água que superaram a maior enchente registrada em 1941. Com cerca de 110 lojas, o mercado enfrentou perdas estimadas em R$ 30 milhões, com fechamento de 41 dias e danos graves a estoques e maquinários.
Rafael Sartori, presidente da Associação Comercial dos Permissionários do Mercado Público Central (Ascomepc), destaca que muitos lojistas ainda lidam com dívidas e queda de receita decorrentes da recuperação ainda em andamento. “O comércio local não tem mais fôlego para queimar diante de tantos impactos consecutivos”, alerta.
Apesar disso, a associação reconhece os investimentos públicos realizados para proteger o patrimônio histórico e o comércio, como obras de contenção e melhorias no sistema de drenagem, apontando uma esperança de maior resiliência para futuras cheias.
4Beer aposta em proteção física e expansão para diversificar riscos
Outro negócio afetado é a rede de bares 4Beer, localizada no 4º Distrito, área que sofreu fortemente com as enchentes. A fábrica da empresa ficou submersa por mais de 20 dias, com operação industrial parada por cerca de 120 dias e prejuízos que ultrapassaram R$ 2 milhões. Para superar a crise, os sócios criaram um sistema de financiamento próprio apoiado pela clientela, salvando a fábrica.
Apesar da recuperação parcial — com faturamento que caiu de R$ 20 milhões em 2023 para R$ 16 milhões em 2024 e retomou para R$ 18 milhões em 2025 —, a perspectiva de um novo El Niño preocupa. Rafael Diefenthaler, sócio-fundador, explica que a empresa planeja instalar comportas para proteger a matriz no 4º Distrito e expandir sua atuação para outras regiões, com a primeira franquia fora do Rio Grande do Sul prevista para Vitória da Conquista (BA) ainda em 2026.
Investimentos públicos reforçam defesa contra enchentes em Porto Alegre
A prefeitura de Porto Alegre informou que, desde 2024, foram investidos R$ 2,3 bilhões em obras de proteção contra cheias e melhorias na drenagem urbana. Entre as intervenções estão a recuperação do Muro da Mauá, a recomposição de diques e a instalação de sistemas para garantir o funcionamento das estações de bombeamento durante emergências.
Além disso, a Defesa Civil ampliou sua estrutura técnica e conta agora com um Centro de Monitoramento e Alerta, fortalecendo a capacidade de resposta da cidade a eventos climáticos extremos. Essa mobilização é crucial para que pequenos Negócios, como a Taverna, os lojistas do Mercado Público e a 4Beer, possam enfrentar com mais segurança os desafios que o novo ciclo climático pode trazer.
